Entrevista com Fernando Souza Terena, no Jornal da Top

Rede Top FM

A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta quarta-feira (15), o indígena Fernando Souza Terena, uma liderança indígena do povo Terena e pré-candidato a deputado estadual em Mato Grosso do Sul, que discutiu os desafios enfrentados pelos povos originários e a crucial necessidade de sua representatividade política e diálogo intercultural.

Ele afirmou que pretende levar à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) uma pauta voltada à ampliação da representatividade dos povos originários e à construção de políticas públicas baseadas no diálogo entre diferentes culturas. Nascido na Reserva Indígena de Dourados, nas aldeias Jaguapiru e Bororó, o indígena se apresenta como um porta-voz das comunidades indígenas do Estado.

Segundo Fernando Souza Terena, apesar de os indígenas serem cidadãos brasileiros, ainda enfrentam dificuldades para acessar direitos considerados básicos.

“Entre os principais problemas que nós enfrentamos estão a falta de abastecimento contínuo de água potável, deficiência na infraestrutura das aldeias e dificuldades de acesso à educação de qualidade, principalmente pela escassez de vagas e investimentos”, citou.

O pré-candidato também destaca que os povos originários convivem com um processo histórico de invisibilidade cultural. Para ele, a chegada dos colonizadores e o avanço do desenvolvimento contribuíram para reduzir o espaço destinado às tradições, às línguas e aos costumes indígenas.

Mesmo diante desse cenário, Fernando afirma que é possível conciliar formação acadêmica, acesso à tecnologia e preservação da identidade cultural. “Minha trajetória foi construída sem políticas públicas específicas e baseada no esforço pessoal, realidade compartilhada por muitos indígenas que buscaram qualificação profissional”, revelou.

Na avaliação dele, embora a cultura indígena esteja presente em diversos aspectos da identidade sul-mato-grossense — como nomes de cidades, costumes e na própria culinária regional —, essa contribuição ainda não recebe o reconhecimento proporcional à sua importância histórica.

Fernando Souza Terena sustenta que Mato Grosso do Sul é um dos estados com maior diversidade cultural do país, reunindo povos indígenas, comunidades negras, descendentes de japoneses e outros grupos. No entanto, ele avalia que essa pluralidade não está refletida nos espaços de representação política.

Para o pré-candidato, chegou o momento de os próprios indígenas ocuparem posições de decisão, sem depender exclusivamente de representantes que desconhecem a realidade vivida nas aldeias.

Ele lembra que cresce o número de indígenas graduados em áreas como Direito, Medicina, Administração, Odontologia e outras carreiras, além da presença de profissionais que ocupam funções de destaque em instituições públicas nacionais.

Segundo Fernando Souza Terena, esse avanço demonstra que os povos originários conquistam espaço por meio da educação e da qualificação.

“Mato Grosso do Sul tem aproximadamente 60 mil eleitores indígenas, número que, se mobilizado, poderia ampliar significativamente a participação política dos povos originários e abrir caminho para uma representatividade inédita na Assembleia Legislativa”, ressaltou.

Como principal proposta, ele defende o fortalecimento do chamado diálogo intercultural, conceito que, segundo ele, consiste em promover uma relação de igualdade entre indígenas e não indígenas na construção das políticas públicas.

“A proposta busca estimular uma convivência baseada no respeito às diferenças culturais, na compreensão mútua e na valorização da diversidade existente no Estado”, argumentou.

Para o pré-candidato, apesar das diferenças de idioma, costumes e tradições, indígenas e não indígenas compartilham as mesmas necessidades essenciais e devem construir conjuntamente soluções para os desafios de Mato Grosso do Sul.

“Minha eventual atuação parlamentar teria como foco representar toda a população sul-mato-grossense, tendo como ponto de partida a defesa dos direitos dos povos originários e a promoção de uma sociedade mais inclusiva e respeitosa com sua diversidade cultural”, assegurou.

Assista a entrevista completa pelo link:

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