O jornalista e presidente estadual do partido AGIR, Jefferson Bezerra, de 53 anos, apresentou oficialmente sua plataforma política e os desafios que pretende enfrentar na disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul. Com uma trajetória de 23 anos cobrindo os bastidores da política regional, o pré-candidato defende uma gestão pública transparente, focada nas reais necessidades da população e totalmente distanciada da polarização ideológica que hoje divide o país.
Classificando sua jornada eleitoral como uma verdadeira “luta de Davi contra Golias”, Bezerra reconhece que o principal obstáculo será a disparidade de recursos. A legenda, de centro, não conta com um fundo partidário robusto, tempo expressivo de rádio e televisão ou representantes no Congresso Nacional. Diante do cenário que define como “o milhão contra o tostão”, ele aposta no engajamento orgânico das redes sociais e no apoio popular direto para contrapor o domínio dos partidos financeiramente mais fortes.
A motivação para colocar seu nome à disposição do Estado, segundo o jornalista, nasce justamente da coragem de se posicionar e oferecer uma alternativa real de voto. Ele aponta que o sistema político atual é dominado por estruturas financeiras pesadas, o que acaba resultando no sucateamento de serviços essenciais. Para ele, sua candidatura é uma opção para o eleitor que deseja votar por ideias, e não pelo poder econômico do candidato.
A saúde pública foi apontada pelo pré-candidato como o problema mais urgente e crônico de Mato Grosso do Sul. Baseado em sua experiência de oito anos como assessor parlamentar, Bezerra criticou os baixos valores pagos aos profissionais de medicina pelo Estado, fator que, segundo ele, inviabiliza a contratação de especialistas para a rede pública e estrangula o atendimento no interior.
Como reflexo dessa defasagem na saúde, o jornalista destacou o drama de pacientes que enfrentam longas e dolorosas esperas por exames e procedimentos básicos. Ele citou especificamente o caso de pessoas com câncer, que muitas vezes aguardam meses por um diagnóstico definitivo, comprometendo as chances de cura. Para reverter o quadro, o pré-candidato defende uma reestruturação imediata no modelo de contratação e atendimento.
Na área da habitação, Bezerra se posicionou firmemente contra a proliferação de favelas e moradias improvisadas. O pré-candidato argumentou que tanto o governo federal quanto o estadual possuem capacidade orçamentária perfeitamente capaz de garantir habitação digna para as famílias de baixa renda, bastando haver prioridade política na aplicação dos recursos.
O jornalista aproveitou o tema para criticar os modelos de assistência social que, em sua visão, acabam incentivando e perpetuando a linha da pobreza em vez de emancipar o cidadão. Para ele, a entrega de uma casa popular própria é o primeiro passo para devolver a dignidade e a cidadania às pessoas que hoje vivem em condições de extrema vulnerabilidade.
O plano de governo de Jefferson Bezerra também abrange gargalos na infraestrutura e na segurança pública. Ele cobrou maior responsabilidade na manutenção e na fiscalização das rodovias estaduais, pontuando que diversas estradas vitais para o escoamento de produção e transporte de passageiros continuam em condições precárias, a despeito dos frequentes projetos e investimentos anunciados pela atual gestão.
Ao avaliar o motor econômico do Estado, o agronegócio, o prefeiturável fez duras críticas à exploração ideológica do setor. Ele defende que o agro deve ser tratado estritamente de forma técnica, comercial e estratégica, como a principal força econômica sul-mato-grossense, e não como um palanque partidário ou motivo de disputa política entre grupos rivais.
Fazendo um paralelo entre a administração pública e a gestão de um veículo de comunicação, Bezerra lembrou a diferença de responsabilidades. Enquanto as empresas privadas dependem de publicidade comercial para sobreviver por conta própria, o governante gerencia o dinheiro dos impostos pagos diretamente pelo cidadão, o que exige um rigor ético, fiscal e moral ainda maior com o erário.
Para viabilizar o projeto do AGIR na prática, a estratégia inicial foca na atração de novos quadros políticos e na montagem de chapas para deputados estaduais e federais. Bezerra explicou que sua candidatura funciona como um polo de atração para “soldados” — pessoas que nunca disputaram cargos eletivos, mas partilham do mesmo sonho de renovação e de fazer a diferença.
O desenho das propostas finais ocorrerá por meio de mutirões técnicos diretamente nos bairros para ouvir as carências reais da população. Paralelamente, profissionais voluntários do partido, como advogados, médicos e contadores, serão convidados para fazer um diagnóstico detalhado de cada secretaria de Estado, elaborando soluções concretas e informadas com base nas carências atuais.
Defendendo que governar exige espírito de equipe e um corpo técnico qualificado, Bezerra diferenciou o pragmatismo usado para vencer eleições da competência necessária para administrar o Estado. Para ele, a gestão pública exige organização e responsabilidade técnica, e não apenas arranjos políticos para a manutenção do poder.
Jefferson Bezerra encerrou afirmando que seu maior desafio pessoal é romper com o que chamou de “colonialismo” em Mato Grosso do Sul. Diante do crescimento econômico do Estado, que ele elogiou, o jornalista concluiu que sua principal promessa de campanha é ser exemplar, diferente e honrar o voto recebido, provando que um partido pequeno pode fazer uma gestão eficiente e voltada para as ruas.
Por Antonio Ueno, Cientista Político






