A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta terça-feira (9), o ex-deputado federal Fábio Trad (PT), que abordou sua trajetória política, a influência familiar, seu atual alinhamento com a esquerda e suas visões sobre o cenário político brasileiro, especialmente em relação à polarização e à defesa das instituições democráticas.
“Minha filiação recente ao PT é justificada pela polarização do cenário político brasileiro, onde não enxergo mais o ‘centro’. Eu defendo que existem apenas duas matrizes partidárias: o PT, que representa o ‘campo democrático’, e o PL, que representa a ‘extrema-direita’. Meu discurso e valores (Estado democrático de direito, soberania estatal, justiça social, equalização tributária) são consistentes desde a minha época na OAB e se alinham com os princípios do campo democrático”, reforçou.
Fábio Trad completou que, no PSD, já era considerado o “patinho vermelho” por suas posições de esquerda, votando contra privatizações (Eletrobras, Correios) e a reforma administrativa. A respeito do cenário eleitoral para 2026, em que pesquisas eleitorais o colocam em boa posição para a disputar o cargo de governador, liderando a intenção de voto entre eleitores petistas, ele disse que seu objetivo é voltar a ser deputado federal.
“Meu desejo pessoal é de me candidatar a deputado federal, pois acredito que a Câmara dos Deputados será o palco do grande confronto institucional em defesa da democracia brasileira nos próximos quatro anos. Por isso, o meu objetivo em Brasília será atuar na linha de frente para ajudar o futuro presidente da República, que espera ser o Lula (PT), para preservar o Estado Democrático de Direito e evitar uma ditadura”, assegurou.
O ex-parlamentar recordou que, mesmo quando o PSD era da base aliada, sempre fez oposição ferrenha ao então presidente Jair Bolsonaro (PL) devido à defesa que fazia pedindo a volta do AI-5 (Ato Institucional nº 5) e da ditadura militar. “Minha oposição era frontal à pessoa e ao que ele representava, baseada em sua consciência e valores democráticos”, argumentou.
Durante a entrevista, ele demonstrou preocupação com a possibilidade de vitória da extrema-direita nas eleições gerais do próximo ano depois que ouviu o discurso do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no ato político da direita realizado no 7 de setembro, confrontando o STF (Supremo Tribunal Federal).
“Temos de ficar alerta que, em caso de vitória da extrema-direita, o Brasil viverá tempos sombrios, de uma escuridão ditatorial, não por tanques nas ruas, mas pelo sufocamento das instituições, tendo o STF como alvo principal, o que configuraria uma ditadura institucional”, assegurou.
Fábio Trad ainda refutou a ideia de que há uma tirania por parte do STF ou de ministros como Alexandre de Moraes. “Nenhuma decisão de Moraes foi isolada, sempre contando com a maioria dos ministros. Se compararmos com a ditadura militar, na década de 70, quaisquer críticas aos presidentes resultavam em prisão e, hoje, figuras como Tarcísio de Freitas podem criticar ministros do STF em palanques livremente e continuar governando”, ressaltou.
Agora no PT, o ex-deputado federal reforçou que sua missão será a reeleição do presidente Lula. “A prioridade é constituir uma grande frente em Mato Grosso do Sul para defender a reeleição do presidente Lula, buscando apoio de partidos como PT, PV, PSB e outros do campo democrático. Montar uma equipe coesa e forte para dar voz à classe trabalhadora do Estado no processo de sucessão”, falou.
Para finalizar, ele reconheceu que o futuro é incerto e que não se deve ser arrogante ao prever os próprios passos políticos, mencionando a imprevisibilidade de eventos como esquemas de lavagem de dinheiro e questões geopolíticas.
Assista a entrevista completa pelo link:




