A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta quarta-feira (6), a vereadora Luiza Ribeiro (PT), que é pré-candidata a deputada estadual, para discutir sua transição para uma candidatura estadual, a importância da representação feminina na política e temas de destaque em sua atuação.
“Temos de ampliar a participação feminina na política e enfrentar problemas estruturais que atingem diretamente as mulheres no Estado. Atualmente, apenas três das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa são ocupadas por mulheres, cenário que evidencia a sub-representação feminina nos espaços de poder”, criticou.
Ela também faz um apelo ao eleitorado para que considere candidaturas femininas nas próximas eleições. “A preocupação é que o número já reduzido de deputadas estaduais possa cair ainda mais, caso algumas migrem para cargos federais. Dentro desse contexto, o PT a lançou como alternativa para ampliar essa representatividade”, revelou.
Além da baixa presença política, Luiza Ribeiro destacou os desafios enfrentados pelas mulheres tanto na política quanto na sociedade. “Entre eles, está a chamada dupla jornada, já que muitas de nós acumulam responsabilidades profissionais e familiares. Em Mato Grosso do Sul, 52% dos lares são sustentados exclusivamente por mulheres, o que agrava as dificuldades de inserção e permanência na vida pública”, pontuou.
A parlamentar também apontou a persistência do machismo estrutural e de uma cultura patriarcal que ainda influencia inclusive o comportamento eleitoral feminino. “É necessário ampliar a conscientização sobre igualdade de direitos e valor entre homens e mulheres. O feminismo é um movimento que busca justamente combater essas desigualdades”, ressaltou.
Na plataforma de campanha, a vereadora se apresentou como uma candidata voltada à representação feminina, mas também com foco em Campo Grande. “Há uma lacuna na Assembleia Legislativa quanto à defesa dos interesses da Capital, já que muitos parlamentares priorizam outras regiões do Estado. A experiência de três mandatos como vereadora e a expressiva votação obtida na cidade são as minhas credenciais”, argumentou.
Outro ponto defendido por ela foi a redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1. “A proposta prevê a diminuição da carga horária semanal de 44 para 40 horas e, no caso dos servidores municipais de Campo Grande, para 30 horas. Os avanços tecnológicos das últimas décadas aumentaram a produtividade, tornando viável a redução sem prejuízos econômicos”, assegurou.
Luiza Ribeiro também rebateu as críticas de setores empresariais, afirmando que não há comprovação de impactos negativos e sugerindo, se necessário, a adoção de incentivos fiscais para compensar eventuais custos. “As pesquisas nacionais indicam que 72% da população apoia a medida, vista como benéfica para a saúde do trabalhador e para a economia”, afirmou.
A pré-candidata ainda enfatiza sua postura política baseada na autenticidade e na coerência, afirmando não evitar temas considerados polêmicos, mesmo em período eleitoral. “A clareza de posicionamento é essencial para o fortalecimento da democracia. Outro eixo central de minha atuação é o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul, que figura entre os que apresentam altos índices desse tipo de crime no país, com casos recorrentes em cidades como Dourados e Três Lagoas”, citou.
A vereadora revelou que dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que, em 2024, 56% dos processos criminais em tramitação no Fórum de Campo Grande estavam relacionados à violência doméstica — número superior à soma de outros crimes, como furto, roubo e tráfico.
“Falta uma Secretaria Estadual da Mulher em Mato Grosso do Sul, pois essa estrutura já existe em 20 estados e no Distrito Federal. Além disso, temos fragilidades no orçamento e na estrutura administrativa voltada ao enfrentamento da violência. A subsecretaria responsável conta atualmente com apenas quatro técnicas, número inferior ao de gestões anteriores”, criticou.
Como proposta, Luiza Ribeiro defende a criação de políticas públicas mais amplas e eficazes, que alcancem todo o estado, além de levar a pauta do combate à violência contra a mulher para o âmbito nacional, caso eleita. “O objetivo deve ser a erradicação do feminicídio, por meio de um esforço conjunto entre sociedade e poder público”, concluiu.
Assista a entrevista completa pelo link:





