A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta quarta-feira (8), protetora de animais, atriz, cineasta e advogada Nadja Mitidiero, que transformou a paixão pelos animais em uma causa permanente ao criar o Instituto Totó, organização que atua no resgate, tratamento e encaminhamento para adoção de cães e gatos em situação de vulnerabilidade.
Na entrevista, ela destacou que o maior desafio da proteção animal em Campo Grande continua sendo a falta de um hospital veterinário público gratuito, além da necessidade de ampliar ações de educação e conscientização da população.
Segundo Nadja, o envolvimento direto com o resgate de animais começou durante a pandemia de Covid-19. “Com a paralisação das atividades culturais e após perder meus gatos, encontrei um cachorro com leishmaniose. Sem conseguir atendimento pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e diante da recusa de terceiros em cuidar do animal após o tratamento, decidi adotá-lo. O cão permanece comigo até hoje”, relatou.
A experiência marcou o início da atuação como protetora independente, trabalho que posteriormente deu origem ao Instituto Totó. Desde então, ela e outros voluntários resgatam animais vítimas de abandono, maus-tratos e doenças, custeando tratamentos veterinários e buscando famílias dispostas à adoção responsável.
Entre as principais dificuldades enfrentadas pelos protetores está a baixa procura por animais idosos, doentes ou diagnosticados com leishmaniose. De acordo com Nadja, a maioria dos adotantes prefere filhotes saudáveis, enquanto animais que exigem maiores cuidados acabam permanecendo por anos em abrigos.
Ela também relata casos frequentes de devolução de animais já adotados, muitas vezes por motivos que poderiam ser evitados, como mudanças na rotina familiar ou gravidez da tutora. “Essas situações demonstram falta de compromisso com a guarda responsável”, lamentou.
Outro problema apontado é a superlotação de abrigos e lares temporários, pois, conforme a atriz, o acúmulo de animais não ocorre por escolha dos protetores, mas pela dificuldade de encontrar novos adotantes e pelo aumento dos casos de leishmaniose na Capital.
Nadja também chama atenção para episódios de maus-tratos e abandono. “Ainda existe uma cultura de tratar animais domésticos da mesma forma que animais de trabalho, o que contribui para práticas inadequadas. Famílias em situação de vulnerabilidade financeira muitas vezes abandonam cães e gatos por não conseguirem arcar com alimentação ou atendimento veterinário”, ressaltou.
Para a fundadora do Instituto Totó, a implantação de um hospital veterinário público gratuito é uma das medidas mais urgentes para enfrentar o problema. “O Ministério Público já determinou, há anos, que a Prefeitura implemente esse serviço, mas a proposta ainda não saiu do papel”, revelou.
Segundo Nadja, parte da resistência vem de vereadores ligados ao setor veterinário privado, que argumentam que a iniciativa poderia prejudicar clínicas particulares. “A estrutura pública atenderia exclusivamente famílias de baixa renda inscritas em programas sociais, público que, na prática, já não consegue acessar serviços particulares”, rebateu.
Na avaliação da protetora, um hospital veterinário gratuito reduziria o número de animais abandonados e evitaria mortes por falta de atendimento, reproduzindo o impacto positivo observado com os programas municipais de castração gratuita.
Além da ampliação da rede pública de atendimento, Nadja defende investimentos em educação como estratégia de longo prazo. “As escolas podem desempenhar papel importante ao ensinar desde cedo o respeito aos animais e conscientizar crianças sobre bem-estar, responsabilidade e combate aos maus-tratos”, argumentou.
Em relação à legislação, a protetora considera que as penas para casos de tortura contra animais devem ser endurecidas, mas ressalta que situações motivadas por desinformação exigem ações educativas e acompanhamento, evitando abordagens exclusivamente punitivas.
O Instituto Totó está em fase de formalização como organização não governamental (ONG), com CNPJ e estatuto próprios. Entre os projetos previstos estão programas de adoção qualificada, adestramento básico para facilitar a adaptação dos animais às novas famílias e acompanhamento dos adotantes durante pelo menos um ano após a adoção.
A iniciativa conta com a colaboração de voluntários e parceiros em diferentes áreas, incluindo apoio jurídico, administrativo e treinamento comportamental dos animais. Para ajudar a manter as atividades, o Instituto Totó promove anualmente o “Dia da Pizza”, campanha de arrecadação de recursos destinada ao custeio de tratamentos, alimentação e manutenção dos animais resgatados.
Assista a entrevista completa pelo link:








