Ancestralidade e tecnologia: MS recebe artistas globais para impulsionar a inovação cultural 

O projeto Futuro Multivozes, do Laboratório de Antropologia Multimídia, da Universidade de Londres (UCL Multimedia Anthropology Lab/UCL MAL), está imerso nos territórios indígenas Guarani-Kaiowá em Mato Grosso do Sul, onde os artistas multimídia e pesquisadores internacionais Roger Eaton, A Guy Called Gerald, Andrea Eszter Kereschen, Ed Webster e Vytautas Niedvaras realizam trocas culturais e tecnológicas com as comunidades Guarani e Kaiowá. 

Essa colaboração visa enriquecer o desenvolvimento do Museu de Realidade Virtual Guarani-Kaiowá, iniciativa liderada por anciãs e anciãos das comunidades locais. O museu tem se consolidado como uma ferramenta essencial para conectar as novas gerações às suas tradições e fortalecer a memória ancestral através da tecnologia. 

Além dos artistas internacionais e das anciãs e anciãos indígenas, fazem parte do projeto:  Raffaella Fryer-MoreiraScott, diretora e cofundadora do projeto, Scott Hill, Guarani-Kaiowá, DJ, fotógrafo, ativista e co-diretor de produção do projeto; Kelvin Mbaretê, Kaiowá, DJ, músico e ativista; Fabi Fernandes, coordenadora dos projetos no Brasil, através da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul; e Quantum Lab – Laboratório de Inovação Tecnológica da UEMS; Amir Garmroudi e Megan Man. 

A iniciativa também destaca a importância da conservação biocultural, aliando a preservação do patrimônio histórico à conservação do meio ambiente, algo essencial para a identidade regional. 

Muitos artistas ao redor do mundo sequer sabem onde fica Mato Grosso do Sul, e eventos como esse ajudam a inserir o Estado no mapa da inovação e da criatividade. A troca de conhecimento entre artistas locais e profissionais internacionais amplia as oportunidades e fortalece a cena cultural da região.

Roger Eaton

Roger Eaton iniciou sua carreira com destaque na fotografia de moda, com trabalhos apresentados nas capas da Vogue e colaborações com artistas como Andy Warhol e Jean-Michel Basquiat. Seus retratos de figuras globais — incluindo o Papa São João Paulo II, Princesa Diana, Kate Moss e Naomi Campbell — posicionaram-no como um dos principais fotógrafos de sua geração. Em transição para o cinema, Roger Eaton esteve envolvido em mais de 130 produções de Hollywood, colaborando com elites da indústria como Angelina Jolie, Brad Pitt, Tom Cruise, Natalie Portman e Sir Anthony Hopkins, entre outros. Agora, na vanguarda da narrativa impulsionada pela IA, ele é pioneiro em workshops de cinema de IA, moldando o futuro do cinema ao integrar tecnologias emergentes com décadas de experiência artística.

A Guy Called Gerald

Gerald Simpson, também conhecido como A Guy Called Gerald, é um pioneiro na música eletrônica no Reino Unido. O seu álbum de 1988, “Voodoo Ray”, deu início ao gênero acid house no Reino Unido, moldando o futuro da música eletrônica. Na década de 1990, o seu aclamado álbum “Black Secret Technology” lançou as bases para um novo género: o UK Jungle. A Guy Called Gerald define a sua música como uma forma de Afrofuturismo Sónico, onde as batidas repetitivas da música eletrônica o reconectam à sua herança e ancestralidade africana. Com uma carreira marcada por uma série de inovações na indústria, a influência de Gerald continua a definir a trajetória da música eletrônica hoje.

Andrea Eszter Kereschen

Andrea Eszter Kereschen é Diretora da Amoenus, uma empresa pioneira de som ambisônico em Londres, que molda o futuro do som imersivo 3D. Seu trabalho impulsiona a adoção do som espacial pelas indústrias contemporâneas, uma tecnologia promovida por empresas como a Apple Music, com suas iniciativas de música imersiva e avanços no Dolby Sound. Com mais de vinte anos de experiência na produção e operação de tecnologia de áudio para grandes eventos como a London Fashion Week e os Brit Awards, Eszter traz um conhecimento inestimável, enraizado na indústria, para o campo emergente do som imersivo.

Acampamento Terra Livre

Entre os dias 7 e 11 de abril de 2025, o Futuro Multivozes levará suas ações ao Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília. O ATL é a maior mobilização indígena do Brasil e, nesta edição, espera reunir cerca de 10 mil indígenas de mais de 200 comunidades. Durante o evento, o projeto promoverá um conjunto de atividades inovadoras que conectam arte, ciência e tecnologia.

Entre as principais ações previstas, destacam-se:

•          Apresentação do Museu de Realidade Virtual Guarani-Kaiowá: compartilhamento da iniciativa com representantes de diversas comunidades indígenas, visando obter feedback e ampliar seu impacto.

•          Sistema de som ambisonic: desenvolvimento de um sistema imersivo por artistas multimídia internacionais, proporcionando uma experiência sonora inovadora.

•          Workshop ‘Sonic Afrofuturism’: encontro entre os Brô MC’s, primeiro grupo de rap indígena do Brasil, e o artista eletrônico britânico A Guy Called Gerald, explorando a fusão entre tradições sonoras indígenas e tecnologia musical.

•          Oficina sobre Inteligência Artificial e cinema: sessão conduzida pelo cineasta Roger Eaton, em que indígenas aprenderão a utilizar IA para criar narrativas audiovisuais inspiradas em suas cosmologias e mitologias.

Com essas iniciativas, o Futuro Multivozes busca ampliar o protagonismo indígena no campo das ciências climáticas, tecnologias digitais e na indústria da música, promovendo a inclusão de perspectivas tradicionalmente marginalizadas nos debates sobre o futuro. Mais informações no site do Museu: www.uclmal.com (Experimental Research | UCL Multimedia Anthropology Laboratory | United Kingdom).

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