Nesta terça-feira (7), a 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou o ex-prefeito de Campo Grande e também ex-governador André Puccinelli (MDB), que reforçou o desejo de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul nas eleições deste ano para colocar sua experiência política a serviço do Estado.
Em entrevista, o emedebista fez uma avaliação positiva da trajetória de desenvolvimento de Mato Grosso do Sul nas últimas décadas, criticou a atual administração de Campo Grande e apontou infraestrutura e saúde como os principais desafios enfrentados pela população.
Pré-candidato a deputado estadual, Puccinelli disse que sua motivação para retornar ao Legislativo é “retribuir” à população a confiança recebida ao longo de sua carreira política. “A experiência acumulada como deputado, prefeito e governador poderá contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas e para o fortalecimento dos municípios sul-mato-grossenses”, projetou.
Ao analisar a evolução de Mato Grosso do Sul desde sua criação, em 1977, e instalação oficial, em 1979, o ex-governador afirmou que todos os chefes do Executivo estadual tiveram participação na construção de um estado que, segundo ele, hoje ocupa posição de destaque no cenário nacional.
Puccinelli também ressaltou o protagonismo de lideranças políticas sul-mato-grossenses que conquistaram espaço na política brasileira, citando nomes como Tereza Cristina, Mandetta, Simone Tebet, além de outras figuras que exerceram funções de relevância nacional.
Durante a entrevista, o ex-governador fez duras críticas à situação de Campo Grande. Utilizando uma metáfora, comparou a cidade a uma filha que teria sido entregue “bonita e com pouca maquiagem”, mas que atualmente apresentaria “cáries”, em referência aos problemas urbanos.
Na avaliação de Puccinelli, a administração municipal é “fraquinha”, mas, apesar das críticas, afirmou torcer pelo sucesso dos governantes, argumentando que o fracasso da gestão pública acaba atingindo diretamente a população.
Ele também mencionou episódios envolvendo mudanças no primeiro escalão da prefeitura, afirmando que a substituição de um secretário após críticas à equipe demonstraria fragilidade administrativa.
Com base em pesquisas de opinião que disse acompanhar, Puccinelli afirmou que os principais problemas apontados pelos moradores de Mato Grosso do Sul são a precariedade da infraestrutura e as dificuldades na área da saúde.
Conforme ele, a população reclama das condições das vias urbanas e rodovias, marcadas por buracos e falta de conservação, além das deficiências no atendimento da rede pública de saúde.
Ao recordar sua trajetória política, Puccinelli afirmou que, embora tenha iniciado a carreira como deputado estadual e posteriormente deputado federal, foi no Executivo municipal que encontrou maior realização pessoal.
Para o ex-governador, o cargo de prefeito proporcionava contato direto com os moradores e permitia respostas mais rápidas às demandas dos bairros. Entre as realizações de sua gestão em Campo Grande, entre 1997 e 2004, destacou a construção de 23 escolas, a implantação de unidades de atendimento à saúde que deram origem às atuais UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), programas de valorização do magistério e incentivo aos estudantes.
O ex-governador também afirmou que sua administração promoveu a informatização das escolas municipais e dos centros de educação infantil a partir de 1999, acompanhada da capacitação de professores para utilização da tecnologia em sala de aula.
Na área habitacional, citou o programa de desfavelamento, que, de acordo com ele, transformou Campo Grande na primeira capital brasileira sem favelas. Puccinelli lamentou, entretanto, o surgimento de novas ocupações irregulares nos últimos anos, afirmando que atualmente existem mais de 60 áreas desse tipo na cidade.
Puccinelli relembrou ainda as disputas eleitorais travadas contra o ex-governador Zeca do PT, especialmente a eleição para a Prefeitura de Campo Grande, em 1996, e o confronto posterior pelo Governo do Estado. Em tom descontraído, brincou sobre ter dado “15 mil votos de lambuja” ao adversário, mas afirmou que pesquisas recentes o colocariam em vantagem em uma eventual nova disputa.
Questionado sobre seus planos políticos, disse que considera um erro não ter disputado uma vaga no Senado ao concluir seus mandatos como governador. “Atualmente não reúno condições eleitorais para concorrer ao cargo e descarto também uma candidatura à Câmara dos Deputados, pois não tenho interesse em atuar em Brasília, cidade que classifico como uma ‘ilha da fantasia’”, reforçou.
Caso seja eleito deputado estadual, Puccinelli afirmou que pretende utilizar sua experiência administrativa para analisar projetos, fiscalizar o orçamento estadual, apresentar críticas construtivas ao governo e contribuir com sugestões para melhorar as políticas públicas, além de prestar apoio aos municípios e às entidades de Mato Grosso do Sul. “O meu objetivo é continuar trabalhando em favor do desenvolvimento do Estado”, disse.
O ex-governador de Mato Grosso do Sul afirmou ainda que seu foco político está voltado para as eleições deste ano, quando pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. Durante entrevista, ele descartou uma candidatura à Prefeitura de Campo Grande em 2026 e reforçou que sua prioridade é retornar à vida pública como deputado estadual.
Segundo ele, caso seja eleito, pretende representar não apenas Campo Grande, mas os 79 municípios sul-mato-grossenses. O ex-governador afirmou que pretende manter o estilo de atuação que marcou sua trajetória política, baseado no contato direto com a população. Disse que continuará percorrendo o Estado para ouvir as demandas da sociedade e construir propostas a partir das necessidades apresentadas pelos moradores.
Como exemplo dessa estratégia, citou cidades como Paranaíba, Coxim, Fátima do Sul, Vicentina e Caarapó, destacando que pretende visitar os municípios para dialogar com lideranças e moradores. Para Puccinelli, “quem ouve a população erra menos ou não erra”, razão pela qual defende que as críticas à administração pública sejam acompanhadas de alternativas e soluções.
Ao falar sobre sua disposição para um novo mandato, Puccinelli afirmou que continua preparado para o trabalho intenso. Em tom descontraído, descreveu-se como um político “semi-usado com garantia de fábrica”, ressaltando que mantém o hábito de acordar cedo e de cumprir uma rotina de visitas e reuniões.
Durante a entrevista, o ex-governador também comentou sobre a possibilidade de continuidade da atuação política de sua família. Ele disse que gostaria de ver esse legado sendo levado adiante por um de seus filhos ou netos. Segundo Puccinelli, seu neto, estudante do terceiro ano do curso de Direito, demonstra interesse pela política e já apresenta características que considera importantes para a vida pública.
Ao encerrar a entrevista, Puccinelli agradeceu o espaço concedido pela emissora e reafirmou o compromisso de permanecer próximo da população. Disse que continuará ouvindo os cidadãos, mantendo uma relação de diálogo com os moradores dos municípios sul-mato-grossenses e defendendo que a atividade política deve ser exercida com espírito de amizade, companheirismo e atenção às demandas da sociedade.
Assista a entrevista completa pelo link:








