Em sabatina no Jornal da Top, Cida Gonçalves destaca conquistas no Ministério, cobra orçamento para combate ao feminicídio e defende Lei contra a Misoginia

Por Redação

Em uma entrevista ao Jornal da Top, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, a publicitária, ativista e ex-ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, fez um balanço dos dois anos e meio em que esteve à frente do Ministério das Mulheres, analisou os desafios do enfrentamento à violência de gênero e detalhou a retomada de suas atividades de consultoria e assessoria privada.

Avanço Histórico: A aprovação da Lei da Igualdade Salarial

Como um dos marcos mais relevantes de sua gestão no governo federal, Cida Gonçalves destacou a articulação e aprovação da Lei da Igualdade Salarial entre homens e mulheres no Congresso Nacional. A ex-ministra lembrou que matérias semelhantes estavam estagnadas no Poder Legislativo há cerca de três décadas.

A legislação determina que empresas com mais de 100 funcionários apresentem relatórios de transparência e elaborem planos de ação para corrigir disparidades salariais. “Em média, as mulheres recebem 30% a menos exercendo a mesma função. Essa defasagem equivale a três meses de trabalho sem remuneração para a mulher brasileira”, ressaltou a entrevistada.

Desafios na Execução das Leis, Financiamento e Tipificação do Feminicídio

Apesar de ressaltar que o Brasil possui uma das legislações mais avançadas do mundo no combate à violência contra as mulheres — citando a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio —, Cida enfatizou que o principal entrave do país é a implementação estrutural das normas.

Entre os gargalos apontados pela ex-ministra, destacam-se:

  • Falta de Órgãos Especializados: O Brasil conta com apenas 150 varas/juizados especializados e menos de 500 delegacias da mulher para atender aos mais de 5.500 municípios.
  • Limitação Orçamentária: A ex-ministra alertou que a falta de um repasse de verbas fundo a fundo prejudica a execução de políticas contínuas. Ela também criticou a pulverização e a falta de transparência na distribuição do orçamento secreto.
  • Análise dos Dados em Mato Grosso do Sul: Sobre os índices alarmantes de feminicídio em Mato Grosso do Sul, Cida avaliou que os números elevados decorrem em parte do fato de o estado tipificar rigorosamente a causa da morte desde o início da investigação policial. Contudo, ela cobrou maior compromisso político e orçamentário dos prefeitos sul-mato-grossenses para criarem secretarias municipais autônomas para as mulheres.
Volta à Consultoria Privada e Apelo aos Parlamentares

Após deixar o Ministério em maio de 2025 e cumprir o período de quarentena, Cida Gonçalves retornou ao comando de sua empresa de assessoria, atuando na formação de gestores, planejamento de políticas públicas, combate ao assédio corporativo e palestras.

Encerrando a entrevista, a ex-ministra convocou a bancada federal e os parlamentares de Mato Grosso do Sul a votarem a favor do projeto de lei que tipifica o crime de misoginia, apontando o discurso de ódio contra as mulheres como um dos principais fatores geradores de violência no país.

Para contratação de consultorias, palestras e treinamentos em gestão de gênero, os contatos com Cida Gonçalves podem ser feitos pelo perfil no Instagram (@cidagmulher).

Link do vídeo analisado: Jornal da Top 2ª Edição – 27/07/2026

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