Entrevista com a ambientalista Mara Calvis, no Jornal da Top

Nesta sexta-feira (3), a primeira edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM (sintonizada em Campo Grande pela frequência 88,9 FM), encerrou a semana com uma entrevista com Lucimara de Oliveira Calvis, amplamente conhecida como Mara Calvis.

Natural de Campo Grande (MS), Mara é empresária, poetisa, escritora e doutora em Desenvolvimento Local. Com mestrado em Educação e licenciatura em Geografia, ela ocupa a cadeira número 35 da Academia Feminina de Letras e Artes de Mato Grosso do Sul (Aflams), além de integrar a União Brasileira de Escritores (UBE-MS), a Associação Internacional de Poetas e o PEN Clube do Brasil Centro-Oeste. Embaixadora da Paz e representante do Instituto Lixo Zero Brasil, Mara atua há 13 anos como educadora e coordenadora ambiental da Solurb.

Durante a entrevista, a especialista defendeu que a ideia de que o “lixo” faz parte inevitável da rotina urbana precisa ser revista.

“O lixo, na verdade, é consequência da destinação inadequada dos resíduos produzidos diariamente pela população. A mudança de comportamento começa dentro de casa e depende da participação consciente de cada cidadão”, declarou.

Consciência diária e a Política Nacional de Resíduos Sólidos

A educadora ressaltou que a preservação ambiental não pode ser lembrada apenas em datas comemorativas, como o Dia Mundial do Meio Ambiente. “Todos os dias são dias de cuidar da água, das árvores, dos resíduos e do planeta. A consciência ambiental precisa fazer parte da rotina das pessoas”, afirmou.

De acordo com Mara, resíduos recicláveis, orgânicos e rejeitos possuem destinações diferentes, mas acabam virando “lixo” quando são descartados juntos. “A mistura de restos de alimentos com papel, plástico, vidro e metal contamina os materiais, inviabilizando tanto a reciclagem quanto a compostagem”, pontuou.

Ela lembrou que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) estabelece a responsabilidade compartilhada entre o poder público, as empresas e a sociedade. Nesse contexto, o cidadão tem papel fundamental ao separar corretamente o que produz em casa.

Mudança de hábitos: Menos plástico e zero desperdício

Entre as mudanças sugeridas está a redução do consumo de plástico. A educadora incentiva o uso de sacolas retornáveis ou caixas de papelão para transportar compras. As próprias caixas, segundo ela, podem ser reutilizadas posteriormente para armazenar os recicláveis no ambiente doméstico.

Outro ponto alarmante destacado foi o desperdício de alimentos. “Cerca de 30% do conteúdo descartado diariamente nos sacos de lixo é composto por resíduos orgânicos, principalmente restos de comida. Estamos jogando fora dinheiro, trabalho e alimento, enquanto muitas pessoas ainda passam fome”, observou.

Para mitigar o problema, a especialista recomenda o consumo integral dos alimentos e a prática da compostagem doméstica com cascas de frutas e legumes. “A prática pode reduzir em até 50% o volume de resíduos enviados aos aterros sanitários, além de produzir adubo natural para jardins e hortas”, assegurou.

Separação simplificada dentro de casa

Ao contrário do que muitos imaginam, Mara explicou que não é necessário manter diversas lixeiras coloridas no ambiente doméstico.

“O sistema de cores previsto em normas técnicas é destinado a pontos de coleta de maior porte. Em casa, a separação pode ser feita de forma muito mais simples”, esclareceu.

A orientação prática é manter apenas duas lixeiras:

  • Uma exclusiva para rejeitos: como papel higiênico, absorventes e resíduos sem possibilidade de reaproveitamento.
  • Uma para materiais recicláveis: reunindo papel, plástico, metal e vidro no mesmo recipiente.

O único cuidado essencial é que esses materiais recicláveis estejam limpos, evitando a contaminação do lote e a proliferação de insetos.

Impacto social e destinação correta

Após a coleta seletiva, os resíduos seguem para cooperativas de catadores para a triagem. Em Campo Grande, esse trabalho é realizado por entidades como a Coopermaras e a KTMS Novo Horizonte, que geram renda e inclusão social para cerca de 130 famílias.

Mara também fez um alerta sobre resíduos que exigem descarte específico: “Medicamentos vencidos, seringas e agulhas devem ser entregues em unidades de saúde. Já as carcaças de animais domésticos precisam ser recolhidas por serviço especializado, mediante solicitação à concessionária responsável pela limpeza urbana”.

Resultados positivos

O trabalho contínuo de educação ambiental tem colhido frutos na capital sul-mato-grossense. De acordo com os dados apresentados pela coordenadora, a participação da população na coleta seletiva saltou de 3% para 37%, reflexo direto das ações de conscientização junto à comunidade.

Para a especialista, a transformação de uma cidade depende da informação e de pequenas atitudes diárias. “Nosso propósito é plantar sementes para formar cidadãos mais conscientes. Cada pessoa que aprende a separar corretamente seus resíduos passa a fazer parte da solução e ajuda a construir uma cidade mais sustentável”, concluiu.

www.maracalvis.com.br

Assista a entrevista completa pelo link:

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