Entrevista com a Sargento Bethânia, no Jornal da Top

Rede Top FM

Nesta quinta-feira (28), a 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou a Sargento Bethânia, que é pré-candidata a deputada estadual e idealizadora do Movimento das Mulheres da Segurança Pública. Com 23 anos de serviço na Polícia Militar e raízes em Camapuã (MS), ela compartilhou suas motivações, os desafios de sua jornada política e suas visões sobre segurança pública.

“Decidi ingressar na política após anos de atuação em projetos sociais e no atendimento a famílias em situação de vulnerabilidade em Campo Grande. A vivência profissional e pessoal despertou a necessidade de buscar mudanças além da atuação dentro da corporação”, afirmou.

A policial militar destacou que sempre teve um perfil atuante, participando de movimentos estudantis e de associações ligadas à PM em defesa de direitos e melhorias para a categoria. “Os meus colegas de profissão passaram a me incentivar a disputar espaço na política por enxergarem potencial de liderança”, revelou.

A Sargento Bethânia reforçou que sempre foi muito combativa e participativa. “A política surgiu como uma forma de ampliar a luta pelas famílias e pela segurança pública”, afirmou, relembrando a trajetória do projeto social “Escolhas que Transformam”, desenvolvido há mais de 16 anos. “A iniciativa trabalha a prevenção e conscientização sobre violência contra a mulher, abuso e exploração de crianças e adolescentes, além do combate às drogas”, detalhou.

Durante a entrevista, ela revelou que sua própria história de vida influenciou diretamente em sua atuação e contou que saiu de casa aos 12 anos de idade por causa da violência doméstica em uma época em que o tema ainda era pouco debatido. “Quando eu atendia famílias em situação de vulnerabilidade, eu me identificava com muitas vítimas. Percebi que precisava fazer algo além da farda”, declarou.

Segundo a policial militar, muitos problemas enfrentados pela segurança pública têm origem em falhas de outras áreas, como educação, assistência social e saúde. “A polícia acaba assumindo consequências de situações que deveriam ser prevenidas por políticas públicas integradas”, comentou.

A Sargento Bethânia também comentou as dificuldades enfrentadas por militares que desejam disputar eleições. “A Constituição Federal impede que militares da ativa se filiem a partidos políticos ou realizem atividades partidárias antes do período permitido pela legislação eleitoral. Enquanto outros candidatos já estão em campanha, nós precisamos conciliar as obrigações da PM com a política, muitas vezes utilizando nosso tempo de folga”, disse.

Apesar das limitações, ela afirmou que encara os obstáculos como motivação para intensificar o trabalho e ainda ressaltou que mulheres na política enfrentam dificuldades adicionais dentro das próprias estruturas partidárias, mesmo com a existência de recursos destinados às candidaturas femininas.

Na área da segurança pública, a policial defendeu uma atuação integrada entre família, escola, assistência social, saúde e forças policiais. “O desequilíbrio acontece quando um desses pilares deixa de cumprir seu papel. A segurança pública não é responsabilidade apenas da polícia. A prevenção começa dentro de casa, na formação das crianças e adolescentes”, analisou.

Bethânia defendeu ainda o fortalecimento de projetos sociais voltados à juventude, citando iniciativas como “Bom de Bola, Bom na Escola”, “Florestinhas” e “Bombeiro do Amanhã”. “Essas ações preventivas ajudam a afastar crianças da criminalidade e das drogas. Por isso, caso seja eleita, pretendo atuar principalmente em pautas ligadas à segurança pública, fortalecimento das famílias e prevenção social”, assegurou.

Ao final da entrevista, a sargento PM disse acreditar que a política precisa de maior participação popular e de pessoas comprometidas com mudanças sociais. “É preciso mais conscientização política e mais pessoas do bem ocupando espaços de decisão”, concluiu.

Assista a entrevista completa pelo link:

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