Em uma entrevista ao Jornal da Top, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, o economista Renato Gomes, pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pelo partido Democracia Cristã (DC), abriu o jogo sobre suas motivações políticas, os pilares de seu plano de governo e as polêmicas recentes em que esteve envolvido.
Com um discurso firme e posições contundentes, o pré-candidato — que vem ganhando forte projeção e viralizando nas redes sociais — apresentou uma alternativa de gestão focada no combate ao que chama de “coronelismo” e na reestruturação financeira do estado.
Trajetória de Renato Gomes: Da Economia à Missão Política
Nascido em Campo Grande, Renato Gomes tem 40 anos e possui uma sólida formação técnica como economista. Após concluir seus estudos na faculdade no Rio de Janeiro, ele retornou a Mato Grosso do Sul, onde há 15 anos atua como profissional liberal em um escritório familiar de prestação de serviços, composto por contadores e advogados. Ele também acumula experiência prévia no sistema bancário, carreira que decidiu abandonar há cerca de uma década.
Renato revelou que sua visão de mundo e de vida mudou significativamente nos últimos cinco anos, após converter-se ao catolicismo, o que o fez se desprender do “mundo material” e encarar a entrada na política não como uma aventura ou busca por status, mas como uma verdadeira missão de vida, mesmo enfrentando a resistência inicial de sua própria família devido aos riscos da exposição pública.
- Manifestação e Confusão na Assembleia Legislativa
Questionado sobre um protesto recente na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) que repercutiu na internet, Renato Gomes criticou duramente o montante destinado às obras do complexo legislativo, estimadas em R$ 100 milhões (sendo R$ 40 milhões destinados a um estacionamento). Ele classificou o gasto como uma “injustiça orçamentária” em comparação com as demandas sociais da população. Durante o evento público, o pré-candidato relatou ter sido agredido por seguranças, tendo inclusive suas vestes rasgadas, impedindo-o de concluir seu discurso. Ele informou que o caso está sendo levado à ouvidoria do Ministério Público para investigação. - Desenvolvimento Econômico e Geração de Empregos
Como economista, Gomes apontou que Mato Grosso do Sul vem perdendo atratividade industrial e que o setor pecuário — historicamente forte no estado — sofreu uma retração expressiva, caindo de 25 milhões para 18 milhões de cabeças de gado.
Para reverter esse cenário e gerar empregos, ele propõe reduzir o custo de instalação de novas indústrias focando no principal insumo de produção: a energia. Suas propostas incluem:
Investimento massivo em matrizes energéticas baratas, como a energia solar em larga escala (espelhando modelos utilizados na China).
Combate à corrupção interna e eliminação de comissões ilícitas em projetos governamentais que travam o desenvolvimento econômico.
- Enfrentamento ao Endividamento das Famílias
Outro pilar central de seu plano econômico é o combate ao superendividamento da população e dos servidores públicos. O pré-candidato defende que o governo estadual deve intervir diretamente junto às grandes instituições financeiras (como Itaú e Bradesco) para auditar, gerenciar e renegociar as dívidas das famílias sul-mato-grossenses, reduzindo a carga abusiva de juros e resgatando o poder de compra dos cidadãos. - Plano de Força-Tarefa e Emergência para a Saúde
Renato Gomes teceu duras críticas à atual gestão municipal e estadual, apontando a falta de insumos básicos (como seringas e esparadrapos) nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) como um escândalo diante de um orçamento estadual de R$ 25 bilhões.
Caso eleito, o pré-candidato garantiu que implementará, logo no primeiro dia de governo, uma força-tarefa emergencial nos moldes de grandes operações federais dentro de hospitais essenciais, como a Santa Casa e o Hospital Regional, visando auditar os recursos e devolver a dignidade ao atendimento humano. Ele também criticou o aumento salarial de prefeitos e vereadores em meio a dívidas com fornecedores de saúde.
- Organização Partidária e Recursos
O Democracia Cristã (DC), presidido no estado por Edilson Jara Vieira e coordenado por Antônio Miele, deu legenda a Renato para encabeçar o projeto majoritário. O partido está estruturando suas chapas e já conta com o nome de Luís Lemes como pré-candidato ao Senado. Renato ressaltou que faz uma pré-campanha com o “pé no chão” e recursos financeiros próprios extremamente limitados, uma vez que o partido não enviou verbas nacionais para o diretório local até o momento.
Ao final da entrevista, o economista agradeceu o apoio que vem recebendo nas redes sociais (onde pode ser encontrado pelo perfil @EconomistaRenato) e reafirmou que entrega os rumos de sua candidatura “nas mãos de Deus”.








