Valdemar diz que Flávio Bolsonaro visitou Daniel Vorcaro em prisão domiciliar para cobrar dinheiro de filme

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O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tentou minimizar a crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao justificar o polêmico encontro entre o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo o dirigente partidário, a visita ocorreu logo após Vorcaro ser colocado em prisão domiciliar e teve como objetivo cobrar o restante dos recursos financeiros prometidos para a produção de “Dark Horse”, filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Foi visitar depois para ver se conseguia o restante do dinheiro. [Vorcaro] estava sendo investigado, não foi condenado a nada”, declarou Valdemar em entrevista ao Estúdio i nesta segunda-feira (25).

A declaração tenta suavizar um cenário que já é considerado altamente desgastante nos bastidores políticos. Apesar de admitir a gravidade das investigações que envolvem o banqueiro, o presidente do PL classificou a atitude de Flávio como “natural”. “Nós não temos dúvida de que foi uma barbaridade o que o Vorcaro fez no país, mas isso é normal. O que o Flávio fez é a coisa mais natural do mundo”, defendeu.

Versões divergentes e bastidores do encontro

A justificativa apresentada por Valdemar difere sutilmente da versão dada pelo próprio Flávio Bolsonaro na semana passada. O senador e pré-candidato à Presidência da República havia afirmado a jornalistas que o encontro com o banqueiro — que cumpria prisão domiciliar sob monitoramento de tornozeleira eletrônica — serviu apenas para colocar um “ponto final” na parceria comercial.

“Fui, sim, para o encontro dele para botar um ponto final nessa história. É dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco”, justificou o parlamentar na ocasião.

Valdemar Costa Neto revelou que a cúpula do partido foi pega de surpresa e só tomou conhecimento da proximidade entre o senador e o dono do Banco Master por meio do noticiário. “Soube pela imprensa. Nunca soube; ele nunca falou sobre isso. No dia em que estourou, nós fizemos uma reunião para ver como é que ele ia responder, e aí ele disse que teve [a reunião] porque tinha necessidade de arrecadar dinheiro para o filme do pai”, relatou o dirigente.

Defesa do financiamento privado e manutenção de candidatura

Ao ser questionado se não via conflito ético no uso de recursos de um banqueiro investigado para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, Valdemar argumentou que a situação só seria problemática se envolvesse dinheiro público.

“Eu fiquei surpreso. Mas acontece que ele [Flávio] queria resolver o caso do banco. Ele [Vorcaro] estava devendo, e ele foi falar, não achou problema nenhum em falar com o Vorcaro mesmo nessa situação. Eu acho que se o Flávio tivesse pedido o dinheiro para o Banco do Brasil, para a Caixa Econômica Federal, teria problema, porque seriam órgãos públicos”, pontuou.

Mesmo diante do agravamento da crise e do desgaste de imagem, Valdemar Costa Neto assegurou que o episódio não ameaça os planos eleitorais do partido para o pleito presidencial. Ele cravou que Flávio Bolsonaro segue firme como o nome do grupo político e descartou outras alternativas ventiladas nos bastidores.

Imagem ilustrativa feita por IA

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